A Agência Municipal de Trânsito e Transporte de Corumbá (AGETRAT) apresenta o Boletim Informativo de Segurança Viária do primeiro semestre de 2026, reunindo resultados dos serviços prestados à população e uma análise do perfil das vítimas de sinistros de trânsito. O documento integra informações da fiscalização, da Educação para o Trânsito, da Engenharia de Trânsito e da Secretaria Municipal de Saúde.
A publicação consolida informações produzidas entre janeiro e junho deste ano e foi elaborado para ampliar a transparência e com a proposta de ampliar o acesso às informações públicas, além de transformar os registros administrativos em referências para o planejamento da segurança viária.
A iniciativa representa um novo passo no processo de modernização da gestão de dados da AGETRAT. Em 2025, a Agência já havia produzido e divulgado materiais informativos relacionados às suas atividades. O novo Boletim, entretanto, amplia esse trabalho ao apresentar de maneira mais detalhada e integrada o cenário da segurança viária de Corumbá.
Além da divulgação pública, a AGETRAT fará a exposição do conteúdo a autoridades, órgãos municipais e instituições que possuem interface com as políticas de mobilidade, saúde e segurança, buscando transformar o diagnóstico em instrumento de planejamento e cooperação.
“Esse Boletim representa um avanço importante para a AGETRAT porque nos permite enxergar o trânsito de Corumbá de maneira mais ampla. Conseguimos reunir o trabalho realizado pela Agência e, ao mesmo tempo, identificar quem aparece com maior frequência nos registros de sinistros, em quais períodos e de que maneira essas ocorrências acontecem. Isso nos dá melhores condições para direcionar fiscalização, educação e engenharia aos pontos e públicos que mais necessitam de atenção”, destaca a diretora-presidente da AGETRAT, Mariana Ricco Arguello Ortiz.
Mais de 1,2 mil serviços e 70 ações educativas
Além do diagnóstico dos sinistros, o Boletim apresenta um panorama da atuação da AGETRAT no primeiro semestre.
Foram 1.267 serviços e ações realizados, incluindo 250 registros de segurança escolar, 227 interdições viárias, 200 atendimentos diretos à população e 190 atendimentos a denúncias relacionadas ao transporte irregular.
Na área preventiva, foram realizadas 70 ações de Educação para o Trânsito, abordando temas como cinto de segurança, respeito à sinalização, riscos do uso do telefone celular e convivência responsável entre os diferentes usuários das vias.
A fiscalização também identificou comportamentos que continuarão recebendo atenção. A falta do uso do cinto de segurança liderou as infrações recorrentes, com 1.682 notificações, seguida pela condução de veículo não licenciado, uso de calçado inadequado, avanço do sinal vermelho e uso do telefone celular ao dirigir.
Perfil das vítimas orienta a prevenção
O diagnóstico reúne 826 registros de atendimento ou vítimas de sinistros de trânsito encaminhados pela Secretaria Municipal de Saúde, a partir de informações do Pronto-Socorro e da Unidade de Pronto Atendimento (UPA 24h). Esse total não corresponde necessariamente a 826 sinistros distintos, pois uma mesma ocorrência pode envolver mais de uma pessoa atendida.
A evolução mensal mostra 100 registros em janeiro, 140 em fevereiro, 138 em março, 144 em abril, 137 em maio e 167 em junho, sendo o último mês aquele com maior volume de atendimentos no semestre.
Quanto à gravidade informada, o cenário é predominantemente composto por atendimentos classificados como leves. Dos 826 registros, 781 foram classificados como leves, o equivalente a 94,6%; 44 foram considerados graves, correspondendo a 5,3%; e houve um registro de óbito, equivalente a 0,1%.
Homens representam quase dois terços dos atendimentos
A análise também permitiu detalhar o perfil das pessoas atendidas. 536 registros correspondem ao gênero masculino, representando 64,9% da base, enquanto 290 são do gênero feminino, ou 35,1%.
O Boletim chama atenção, porém, para um aspecto importante, pois, apesar da diferença no número absoluto de atendimentos, homens e mulheres apresentam proporções muito semelhantes quando observada a gravidade. Contudo, o documento também identifica algumas diferenças de perfil: entre as mulheres há participação proporcionalmente maior dos atendimentos relacionados a automóveis e da faixa etária entre 35 e 44 anos, enquanto entre os homens se observa maior concentração de jovens entre 18 e 34 anos.
Jovens adultos concentram quase metade dos registros
A faixa etária também aparece como um dos principais indicadores para direcionar futuras ações preventivas.
As pessoas de 18 a 24 anos representam 192 registros, ou 23,2%, enquanto aquelas entre 25 e 34 anos somam 183 registros, ou 22,2%. Juntas, as duas faixas concentram 375 atendimentos, equivalentes a 45,4% de toda a base analisada.
Também foram identificados 104 atendimentos envolvendo pessoas de até 17 anos, correspondentes a 12,6%, e 60 registros de pessoas com 60 anos ou mais, equivalentes a 7,3%.
Diante desse cenário, o Boletim aponta o público jovem como uma das prioridades para as ações educativas, sem afastar a necessidade de estratégias específicas voltadas às crianças, adolescentes e pessoas idosas, considerando as particularidades de deslocamento de cada grupo.
Motocicletas e bicicletas estão presentes em 86,9% dos registros
O diagnóstico evidencia ainda a forte participação dos usuários de veículos de duas rodas nos atendimentos relacionados ao trânsito.
A motocicleta aparece em 544 registros, correspondentes a 65,9% do total, enquanto a bicicleta está associada a 174 registros, ou 21,1%. Somadas, motocicletas e bicicletas representam 718 atendimentos, equivalentes a 86,9% da base considerada. Automóveis aparecem em 68 registros, pedestres em 28 e outros meios ou situações não informadas em 12.
O indicador reforça a necessidade de atenção aos usuários mais expostos e oferece subsídios para que campanhas educativas, operações de fiscalização e avaliações das condições das vias considerem com maior intensidade a realidade de motociclistas e ciclistas.
A natureza das ocorrências reforça esse cenário. A queda de motocicleta foi o evento mais frequente, com 362 registros, correspondentes a 43,8%, seguida da queda de bicicleta, com 125 registros, ou 15,1%. Juntas, as quedas somam 487 registros e representam 59% do total. A colisão entre motocicleta e automóvel aparece em seguida, com 111 registros, equivalentes a 13,4%.
Sábados, tardes e noites exigem atenção
A dimensão temporal do levantamento também permite identificar períodos com maior concentração absoluta de atendimentos.
Entre os 813 registros com data individualizada, o sábado apresentou o maior volume, com 162 atendimentos, seguido da quinta-feira, com 120, e do domingo, com 115.
Quanto aos horários, a distribuição mostra equilíbrio entre tarde e noite. O período das 18h às 23h concentrou 267 registros, ou 32,3%, enquanto das 12h às 17h foram contabilizados 266, ou 32,2%. Juntos, tarde e noite representam 533 registros, correspondentes a 64,5% da base considerada.
A leitura integrada desses indicadores aponta, portanto, maior concentração de atendimentos entre jovens adultos, pessoas do gênero masculino e usuários de motocicletas e bicicletas, tendo as quedas como natureza mais frequente e os sábados, tardes e noites como períodos de destaque. O próprio documento ressalta que esses dados representam contagens absolutas e devem ser utilizados como referências para planejamento, sem serem interpretados isoladamente como taxas individuais de risco.
Informação como instrumento de planejamento
A elaboração, redação e sistematização do Boletim ficaram sob responsabilidade da Assessoria Jurídica-Administrativa da AGETRAT, com trabalho desenvolvido pelo assessor Bruno Victor de Arruda Pinheiro.
Segundo o assessor, o diferencial da publicação está justamente na possibilidade de cruzar diferentes dimensões da atuação pública e utilizá-las para orientar as próximas ações.
“Quando analisamos isoladamente uma infração, um atendimento ou um sinistro, temos uma informação pontual. Quando esses dados são organizados em conjunto, começamos a compreender padrões. Hoje conseguimos observar, por exemplo, a forte presença de jovens e usuários de motocicletas entre os atendimentos, os períodos com maior número de registros e as naturezas mais recorrentes. Isso permite transformar informação administrativa em diagnóstico e, principalmente, em subsídio para prevenção e tomada de decisão”, explicou.
O trabalho também identificou desafios para as próximas edições. Entre eles está o aprimoramento dos dados territoriais dos sinistros. A AGETRAT já alinhou com a Secretaria Municipal de Saúde melhorias no preenchimento dos endereços, permitindo que futuramente o diagnóstico avance na identificação mais precisa dos bairros e vias com maior concentração de atendimentos.
Iniciativa terá continuidade com Boletim Anual
O Boletim do primeiro semestre consolida uma iniciativa pioneira de acompanhamento sistemático da segurança viária em Corumbá e inaugura uma metodologia que terá continuidade.
A AGETRAT já prevê o lançamento de um Boletim Anual de Segurança Viária, com a consolidação dos dados de todo o ano de 2026. A ampliação da série permitirá acompanhar a evolução dos indicadores, comparar períodos e avaliar com maior precisão os efeitos das ações implementadas ao longo do ano.
“Nosso objetivo é transformar informação em ação. Saber quem está mais presente nos registros, como esses sinistros acontecem e em quais períodos eles se concentram nos permite trabalhar de forma mais assertiva. O Boletim será apresentado aos demais órgãos e autoridades justamente porque segurança viária exige atuação conjunta. Queremos que esses dados ajudem não apenas a AGETRAT, mas todo o município a pensar políticas e ações que preservem vidas”, afirmou Mariana Ricco.
Ao reunir em uma mesma publicação serviços, fiscalização, educação, engenharia e um diagnóstico detalhado dos sinistros e de suas vítimas, a Prefeitura de Corumbá e a AGETRAT reforçam o compromisso com uma gestão orientada por evidências, transparência e prevenção.
Os resultados do primeiro semestre mostram uma Agência presente nas ruas e, ao mesmo tempo, avançando na capacidade de compreender os dados produzidos pela própria cidade para direcionar esforços onde são mais necessários.
Fale com a AGETRAT: (67) 98191-0023 – Atendimento Geral e (67) 98191-0047 – Plantão de Fiscalização de Trânsito
Boletim informativo Semestre 2026 - VERSÃO 1 - PÚBLICO