Os desafios na área da saúde em Campo Grande foram debatidos durante Audiência Pública, promovida pela Câmara Municipal, na manhã desta segunda-feira, dia 28. Em prestação de contas referente ao 2º quadrimestre do exercício financeiro de 2026, o secretário municipal de Saúde, Marcelo Vilela, passou informações aos vereadores sobre medicamentos, cirurgias eletivas, limpeza nas unidades de saúde, a questão da Santa Casa e outros investimentos.
A Audiência foi presidida pelo vereador Dr. Lívio, da Comissão Permanente de Saúde da Casa de Leis. “A gente sabe que é uma pauta muito difícil e que os resultados vão acontecendo realmente a passos pequenos, mas que, no longo prazo, a gente possa ter resultados melhores. Campo Grande estava com uma situação muito precária em relação à saúde, ainda está, mas a gente já percebe uma pequena evolução ao longo desse ano”, afirmou o vereador.
Ele citou como um dos desafios a questão da falta de medicamentos, ponto cobrado durante o debate. O secretário informou que algumas empresas não estão entregando os remédios no prazo, havendo necessidade de ações judiciais para regularização a questão.
A questão da Santa Casa também foi abordada, diante do recente escândalo com suspeitas de fraude e desvios de recursos, levando à prisão da então presidente. O secretário informou que ainda vai participar da primeira reunião de alinhamento com a equipe de intervenção do hospital e ficou pactuado o repasse de R$ 4 milhões (da prefeitura e do Governo do Estado) para compra de insumos.
O vereador Jean Ferreira acrescentou que entregou ao superintendente do Ministério da Saúde pedido de auditoria nos recursos da Santa Casa, devido à materialidade dos fatos.
No debate, o vereador Dr. Lívio também questionou sobre o cronograma das cirurgias eletivas, que ainda demandam várias judicializações. O secretário Marcelo Vilela disse que há uma rede contratualizada e citou o Vira CG, com objetivo de reduzir fila de espera. Ele informou que encaminhará balanço dos procedimentos realizados e recursos aplicados. Uma das principais demoras foi em relação a cirurgias urológicas, pois a Santa Casa tinha suspendido o procedimento.
Gestão – Questões relacionadas à administração pública, com impacto nos atendimentos de saúde, também foram abordadas. O vereador Veterinário Francisco citou o problema recorrente da falta de vagas nos hospitais. “O que tem me preocupado é que surgem as vagas, mas aí não temos ambulância para levar pacientes das unidades até os hospitais”, acrescentou. O secretário informou que está sendo providenciado serviço de transporte das UPAs (Unidades de Pronto Atendimento) para hospitais. “Estamos correndo para fazer contratação disso. Não tinha esse serviço”, afirmou.
Outra mudança prevista é incluir na rede de saúde o serviço de engenharia clínica, prestando assistência técnica a todo parque tecnológico dos estabelecimentos de saúde. Desta forma, será montado um cronograma para melhorar toda a parte de manutenção de equipamentos utilizados. A providência foi citada diante dos questionamentos sobre os compressores odontológicos, essenciais para o atendimento.
Jader Vasconcelos, presidente do Conselho Municipal de Saúde, também questionou sobre a limpeza das unidades de saúde, hoje realizada pela empresa Produserv. “A empresa continua e o serviço de péssima qualidade. Agora não estão entregando material mesmo, quando anda pelas unidades percebe que a reclamação é geral”, afirmou. Ele disse ainda que o mínimo de profissionais no contrato está sendo descumprido. O secretário informou que devido a problemas de recursos jurídicos, a prefeitura ficou “refém” dessa questão administrativa, pois a empresa entrou com mandado de segurança para suspender nova licitação.
Na Audiência, o vereador Maicon Nogueira falou do desafio e da complexidade em cuidar da saúde de Campo Grande e questionou sobre relatório do Denasus relacionado a frota do Município, perguntando por que R$ 345 mil foram usados em veículos que não pertencem à frota do Samu? O secretário informou que auditoria interna apontou a devolução de recurso e que está cobrando com outros setores melhorias na questão da frota para evitar esse problema. “Em relação à frota melhorou 90%, temos tudo rodando. São problemas administrativos, vamos corrigindo com diagnósticos de gestão”.
Dados
No começo da Audiência, o secretário expôs números referentes à Sesau no período de maio a agosto deste ano. A rede física de atendimento vinculada ao SUS conta com 214 estabelecimentos. Há ainda total de 7.888 servidores que trabalham no SUS Municipal, sendo que servidores efetivos formam a coluna principal, vínculos temporários e convocações complementam a operação.
O relatório mostrou ainda que a produção na Atenção Primária contou com 2,1 milhões de atendimentos, aumento de 4,8% em relação a maio e julho deste ano, comparando com mesmo período do ano passado. Ele informou ainda que o percentual investido na saúde chega a 24,5% das receitas municiais, sendo que o mínimo previsto constitucionalmente é de 15%.
A prestação de contas é feita a cada quatro meses pela Secretaria, conforme determinado em lei, encaminhando aos vereadores relatório com os dados do período e apresentando as informações para que toda a população possa acompanhar.
Milena Crestani
Assessoria de Imprensa da Câmara Municipal