Editora FGV lança livro sobre a política econômica no Brasil da Nova República
O período estudado neste livro é crucial: se o país tivesse continuado a crescer às taxas verificadas antes da década de 1980, seria atualmente uma nação desenvolvida, como é o caso da Coreia do Sul.
O Brasil herdado do Regime Militar era um país industrializado, embora pobre e marcado pela fome e pelo analfabetismo.
Para piorar, a economia estagnava nos anos 1980, enquanto a inflação atingia níveis nunca vistos e a dívida externa entrava em moratória. Vivia-se a Crise da Dívida durante o período de redemocratização que deu início à Nova República.
Três décadas depois, entre os anos de 2014 e 2016, a economia brasileira viveu uma profunda recessão, que elevou o desemprego a níveis recordes e interrompeu um virtuoso período de avanços sociais. Foi nesse contexto que Dilma Rousseff sofreu um impeachment.
Assim foi o Brasil da Nova República, entre as grandes crises dos anos 1980 e 2010: estagnado economicamente, mas socialmente dinâmico. Este livro busca explicar essa notável — e um tanto paradoxal — dicotomia. Para isso, os autores relatam o dia a dia da área econômica de nove governos, de Sarney a Dilma. Analisam os desafios enfrentados por cada uma dessas administrações, o desenho e o resultado de suas políticas econômicas, bem como a atuação de grupos de interesse que se saíam ora ganhadores, ora perdedores, a depender da conjuntura em tela.
Em Entre crises: política econômica no Brasil da Nova República, publicado pela Editora FGV, Leonardo Weller e Thales Zamberlan Pereira expõem o paradoxo da Nova República: o Brasil venceu a hiperinflação, superou crises da dívida externa e ampliou conquistas sociais e democráticas, mas não conseguiu sustentar o crescimento econômico.
A obra complementa o livro Democracia negociada: política partidária no Brasil da Nova República, de Leonardo Weller e Fernando Limongi, também publicado pela FGV Editora em 2024.