Onde estão os dados? No Setembro Amarelo, Maicon Nogueira cobra Prefeitura por informações sobre atendimento psicossocial à juventude
O Setembro Amarelo reforça em todo o país a importância da prevenção ao suicídio e do cuidado com a saúde mental. Em Campo Grande, o vereador Maicon Nogueira defende que o período também sirva para colocar uma questão urgente em debate: como estão funcionando atualmente as políticas públicas destinadas aos jovens que precisam de acolhimento e atendimento psicossocial na Capital?
Dados divulgados pela própria Prefeitura mostram a dimensão que esse trabalho já alcançou. Em 2023, a Secretaria Municipal da Juventude (Sejuv) registrou 3.633 atendimentos psicossociais. Já em 2024, o Núcleo de Apoio Psicossocial contabilizou 9.796 atendimentos, incluindo ações de prevenção e acolhimento, palestras e oficinas voltadas a jovens e famílias em situação de vulnerabilidade.
Somados, são 13.429 atendimentos registrados em dois anos, números que evidenciam a procura e a importância de uma estrutura permanente voltada à saúde mental da juventude.
Uma das iniciativas desenvolvidas nesse período foi o Quem Ama Cuida, lançado em 2023, durante a gestão de Maicon à frente da Sejuv. O projeto foi criado para oferecer atendimento psicossocial gratuito a jovens a partir dos 15 anos e também às suas famílias.
Para Maicon, diante do alcance que essas ações tiveram, é fundamental que a Prefeitura apresente informações atualizadas sobre a continuidade dos atendimentos, a estrutura disponível e o número de jovens que atualmente conseguem acessar esses serviços. “Nós construímos uma política para que o jovem tivesse onde buscar ajuda. O Quem Ama Cuida nasceu com esse propósito e o atendimento psicossocial chegou a milhares de pessoas. Hoje queremos saber: cadê os dados dessas políticas? Quantos jovens estão sendo atendidos? Qual é a demanda? Como esses serviços estão funcionando? Estamos falando de pessoas que precisam encontrar uma porta aberta quando decidem pedir ajuda”, cobra Maicon.
A ausência de informações atualizadas, segundo o parlamentar, vai além de uma questão administrativa. Sem indicadores, fica mais difícil dimensionar a demanda, identificar vulnerabilidades, avaliar a continuidade das políticas e saber se a estrutura existente é suficiente para atender quem procura o poder público.
E a cobrança não começou agora. Em 27 de maio de 2025, a Comissão Permanente de Juventude da Câmara Municipal, presidida por Maicon, solicitou à Secretaria Executiva da Juventude a apresentação do relatório de execução das atividades do último quadrimestre e do plano de trabalho com as ações e metas programadas para 2025.
O documento estabeleceu prazo até 10 de junho de 2025 e solicitou que fossem apresentados os serviços oferecidos pela pasta, dados qualitativos e, principalmente, informações quantitativas sobre o número de jovens e usuários atendidos por serviço.
Sem a apresentação das informações dentro do prazo, a cobrança foi reiterada oficialmente em 8 de julho de 2025. No segundo ofício, Maicon registrou que o prazo havia expirado, voltou a solicitar a documentação e pediu uma reunião com a Comissão Permanente de Juventude para apresentação dos dados e interlocução com a Câmara.
Segundo o vereador, mesmo após os dois ofícios, as informações solicitadas não foram apresentadas. Mais de um ano após a primeira cobrança, a ausência de respostas ganha ainda mais relevância durante o Setembro Amarelo, quando a prevenção ao suicídio volta ao centro do debate e evidencia a necessidade de saber quais políticas de acolhimento estão funcionando, quantos jovens estão sendo alcançados e qual estrutura o município mantém para atender quem procura ajuda. “Nós pedimos oficialmente essas informações, demos prazo e, diante da falta de resposta, reiteramos a cobrança. Até hoje queremos saber: quantos jovens estão sendo atendidos? Quais políticas estão em funcionamento? Como está o atendimento psicossocial? Não estamos falando apenas de relatórios e números. Estamos falando de jovens que podem estar sofrendo e que precisam encontrar uma política pública funcionando quando procuram ajuda”, afirma.
Para Maicon, a falta de dados também dificulta o próprio trabalho de fiscalização e a construção de novas políticas públicas. Saber quem está procurando atendimento, quais são as principais demandas e onde estão as maiores necessidades é fundamental para direcionar recursos, equipes e estratégias de prevenção.
O vereador ressalta ainda que prevenir o suicídio e cuidar da saúde mental exige uma rede que funcione durante todo o ano. Além do atendimento em saúde, isso envolve educação, oportunidades, fortalecimento dos vínculos familiares e comunitários e políticas capazes de oferecer perspectivas aos jovens. “O jovem precisa saber onde procurar ajuda e, principalmente, encontrar atendimento quando precisar. Saúde mental não pode ser apenas campanha. Precisa ser política pública permanente, acompanhada e com resultado”, conclui Maicon.
Assessoria de Imprensa do Vereador