A Letalidade Policial em Mato Grosso do Sul: Como Aumenta a Morte em Abordagens e o Papel da Investigação

Até o dia 12 de fevereiro de 2025, Mato Grosso do Sul registrou 13 mortes em decorrência de abordagens policiais, sendo 10 apenas em janeiro. Esses números contrastam com os 86 homicídios decorrentes de intervenções policiais no ano passado, uma média de sete por mês. A pergunta que fica é: isso é considerado normal? Quem investiga essas mortes e como a justiça age nesses casos?
Douglas Oldegardo Cavalheiro dos Santos, promotor de Justiça com quase três décadas de atuação, é um dos responsáveis por conduzir investigações nesse âmbito. Conhecido por sua atuação nos tribunais, Oldegardo também foi o responsável pela primeira condenação de Jamil Name Filho, envolvido no assassinato de um estudante de Direito em 2019, caso que chocou Mato Grosso do Sul. Em 2024, ele assumiu a liderança do Gacep (Grupo de Atuação Especial de Controle Externo da Atividade Policial), com a missão de investigar a atuação dos policiais no Estado.
Em uma entrevista no podcast Na Íntegra, Oldegardo respondeu à provocação comum sobre a postura da polícia: "Bandido bom é bandido morto?" Ao analisar dados alarmantes, como o aumento de 473% no número de mortes em confrontos, conforme o Sistema Nacional de Informações de Segurança Pública, ele destaca a crescente letalidade policial no Estado. Entre 2015 e 2024, foram 622 mortes registradas em confrontos.
O promotor, que nunca evitou polêmicas e desafios, compartilha sua visão sobre o crescimento da violência policial e as complexas investigações que acompanham esses casos. Ele também fala sobre sua transição do Tribunal do Júri para a função de investigar a polícia, e como, mesmo aposentado da beca, continua a exercer seu trabalho com a mesma dedicação.
Em um momento de reflexão, Oldegardo analisa o papel da justiça e da sociedade diante do aumento de mortes por abordagens policiais, sem deixar de questionar se o sistema de segurança está realmente funcionando para todos.