A corrida pelo Governo de Mato Grosso do Sul entrou oficialmente em uma nova fase. Com o início da campanha eleitoral, os candidatos já podem levar suas propostas às ruas e disputar diretamente a atenção do eleitorado. O cenário apresenta um número elevado de postulantes e coloca o governador Eduardo Riedel, candidato à reeleição pelo PP, na condição de principal nome da disputa.
Levantamentos realizados ao longo de 2026 mostram Riedel com vantagem significativa sobre os adversários. Em pesquisa Real Time Big Data divulgada em maio, o governador apareceu com 43% das intenções de voto no cenário estimulado, contra 21% de Fábio Trad (PT), 11% de João Henrique Catan (Novo) e 7% de Delcídio do Amaral (PRD).
Uma pesquisa mais recente do Instituto Ranking Brasil Inteligência, realizada entre 29 de junho e 3 de julho em 30 municípios do Estado, também apontou Riedel na liderança. Na pesquisa espontânea, o governador registrou 24,2%, seguido por Fábio Trad, com 10,4%, e João Henrique Catan, com 5%.
Riedel aposta na continuidade
O governador chega à disputa sustentado por uma ampla articulação partidária e pelo discurso de continuidade administrativa. A estratégia deverá explorar resultados de sua gestão, investimentos realizados pelo Estado, equilíbrio fiscal e projetos considerados estruturantes para Mato Grosso do Sul.
A candidatura à reeleição também conta com uma aliança política ampla. O MDB, por exemplo, confirmou apoio a Riedel, enquanto outras legendas também aderiram ao projeto de continuidade do atual governo.
O desafio do governador será transformar a vantagem apontada pelas pesquisas em votos efetivos, mantendo a liderança durante uma campanha que tende a ficar mais intensa com o avanço do horário eleitoral, dos debates e das agendas pelo interior.
Fábio Trad tenta consolidar oposição
Na oposição, o principal desafio é transformar a fragmentação de candidaturas em uma candidatura competitiva capaz de chegar ao segundo turno.
Fábio Trad, do PT, aparece atualmente como o nome mais bem posicionado entre os adversários de Riedel em diferentes levantamentos. Seu desempenho o coloca como um dos principais polos de oposição ao atual governador.
A campanha petista deverá buscar ampliar sua presença especialmente entre eleitores que defendem uma mudança no comando do Estado e estabelecer uma conexão entre a eleição estadual e o cenário nacional.
Catan representa a alternativa liberal
Outro nome que chama atenção é o deputado estadual João Henrique Catan, do Novo. O parlamentar aparece em terceiro lugar em pesquisas recentes e tenta ocupar o espaço de uma candidatura de perfil liberal e crítico à estrutura tradicional da política sul-mato-grossense.
Catan terá como principal desafio ampliar sua presença para além de setores mais identificados com o eleitorado liberal e transformar o desempenho nas pesquisas em crescimento efetivo durante a campanha.
Delcídio tenta recuperar espaço
O ex-senador Delcídio do Amaral, candidato pelo PRD, também está no jogo. Apesar de aparecer atrás dos três primeiros colocados nos levantamentos recentes, possui experiência política e conhecimento do Estado.
Sua candidatura poderá ganhar força caso consiga atrair eleitores que ainda não definiram voto e se apresentar como uma alternativa aos grupos políticos atualmente mais estruturados.
Uma eleição com muitos candidatos
A eleição de 2026 apresenta um cenário bastante pulverizado. Além de Riedel, Fábio Trad, Catan e Delcídio, também estão na disputa Daniel Lemes (PCO), Renato Gomes (DC), Jefferson Bezerra (Agir) e Lucien Rezende (PSOL), conforme a relação de candidaturas divulgada com base nos dados do Tribunal Superior Eleitoral.
A quantidade de candidatos pode favorecer o atual governador no primeiro turno, uma vez que a oposição chega dividida em diferentes projetos políticos.
Por outro lado, a pulverização também abre uma janela para mudanças. Em uma eleição com muitos candidatos, pequenas oscilações de intenção de voto podem alterar significativamente a distância entre os nomes que disputam as primeiras posições.
A incógnita: haverá segundo turno?
É justamente essa a principal pergunta da eleição.
Os números disponíveis até agora colocam Riedel em posição confortável, mas a disputa pela segunda colocação permanece como um dos pontos mais importantes da campanha. Em maio, por exemplo, o Real Time Big Data mostrou Riedel com 43% contra 21% de Fábio Trad e 11% de Catan.
Em um eventual segundo turno, porém, o cenário muda completamente. Os votos dos candidatos eliminados passam a ser decisivos, assim como a capacidade de cada grupo político de construir alianças.
Campanha será marcada por polarização
Outro fator que pode influenciar a disputa será a eleição presidencial. A polarização entre direita e esquerda tende a produzir reflexos também na eleição estadual, principalmente entre os eleitores mais ideologicamente identificados.
Ao mesmo tempo, Riedel tenta apresentar a eleição como uma escolha entre continuidade e mudança, enquanto seus adversários precisam encontrar uma narrativa capaz de convencer o eleitor de que o Estado necessita de uma nova direção.
Com a campanha oficialmente iniciada em 16 de agosto, o cenário deixa de ser apenas uma disputa de pesquisas e passa a ser uma disputa de rua, redes sociais, debates e capacidade de mobilização.
Hoje, Riedel larga como favorito. Mas a eleição ainda está longe de estar decidida. A verdadeira disputa começa agora: quem conseguirá se consolidar como o principal adversário e transformar a eleição de 2026 em uma corrida de dois turnos?