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Justiça

CPI do Consórcio Guaicurus: Investigação de Faz de Conta ou Verdadeiro Teatro Político?

Por Wander Lopes

19/03/2025

 

A tão aguardada abertura da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Consórcio Guaicurus, responsável pelo transporte coletivo em Campo Grande, começou com o pé esquerdo. A criação da CPI, que deveria ser um instrumento de fiscalização transparente e eficaz, já nasce com amarras que podem comprometer a profundidade das investigações e, indiretamente, favorecer a concessionária.

Desde sua concepção, a CPI enfrenta dificuldades estruturais que colocam em xeque sua efetividade. As limitações impostas ao escopo das investigações e os obstáculos que restringem a obtenção de documentos essenciais para a apuração da gestão e dos contratos do Consórcio Guaicurus levantam questionamentos sobre a real intenção do processo. Se a CPI não puder aprofundar-se nas questões mais sensíveis, como a destinação dos recursos públicos e a prestação do serviço, sua existência se torna apenas protocolar, sem qualquer impacto concreto para a população.

Outro fator preocupante é a composição da comissão. A escolha dos membros da CPI levanta dúvidas sobre a independência da investigação, uma vez que alguns parlamentares já demonstraram alinhamento com os interesses da concessionária. Isso pode comprometer a imparcialidade dos trabalhos e gerar um relatório final esvaziado, sem responsabilizações efetivas.

A pressão popular para que a CPI fosse instaurada surgiu devido às constantes reclamações sobre a qualidade do serviço prestado pelo Consórcio Guaicurus. As tarifas elevadas, a precariedade da frota, a falta de transparência na administração dos subsídios e a insatisfação geral dos usuários são temas que exigem uma investigação séria e rigorosa. No entanto, com tantas restrições impostas à CPI, há o risco de que o trabalho parlamentar se resuma a uma encenação política, sem mudanças reais para a população.

Não à toa, a sociedade já apelidou a ação de "CPizza dos ônibus", prevendo que, mais uma vez, a investigação não resultará em punições concretas e acabará em pizza. O temor é que essa CPI, ao invés de representar um avanço na fiscalização dos serviços públicos, se torne apenas um instrumento de desgaste político entre os parlamentares, sem efeitos práticos para corrigir os problemas enfrentados pelos usuários do transporte coletivo. Caso as limitações permaneçam, o resultado poderá ser um relatório inócuo, sem apontar responsabilidades e sem soluções concretas.

Há quem diga que a CPI trará apenas conotação de marketing para o Executivo municipal, sem uma efetivação positiva para a população. A sociedade espera transparência e compromisso dos vereadores que integram a comissão. Para que a CPI do Consórcio Guaicurus tenha credibilidade, é essencial que suas ações sejam conduzidas de forma isenta, com acesso irrestrito às informações e com respaldo para cobrar mudanças efetivas. Caso contrário, corre-se o risco de que tudo termine em mais um espetáculo político sem consequências para aqueles que deveriam prestar um serviço de qualidade à população.

 

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